Holding Point X Hold Short of

Holding Point x Hold Short of

Fraseologia inglesa


O fato de nossa fraseologia não ser nada explicativa, mas exemplificativa, faz com que certas expressões sejam interpretadas erroneamente, como é o caso das expressões supracitadas.Ao dar tal forma a nossa fraseologia não se valorizou a melhor técnica de redação, por isto a interpretação da maioria das expressões fica ao sabor dos usuários, nem sempre preparados tecnicamente para tal.


A fraseologia estrangeira, como é o caso da norte-americana, optou por dar uma forma mais precisa, explicando primeiramente os termos a serem utilizados, relacionando-os com os procedimentos de tráfego aéreo, e depois, através de exemplos, esclarecem melhor ainda sua aplicação.

Há quem considere, no Brasil, estas duas expressões sinônimas, quando na realidade não são.
HOLDING POINT é, em inglês, ponto de espera, ou seja, é a posição crítica número 2, enquanto a expressão HOLD SHORT OF não é uma posição, mas uma instrução.

HOLDING POINT: Um local específico, identificado por meios visuais ou outros, nas proximidades do qual a posição de uma aeronave é mantida de acordo com uma autorização do controle de tráfego aéreo.

 PT DCC PROCEED TAXI TO HOLDING POINT RUNUWAY 27

A aeronave, neste caso, se dirige até o ponto de espera da pista 27.

HOLD SHORT OF: Ocorre quando o controlador deseja que uma aeronave pare antes de um ponto especificado (nome do local, normalmente uma pista de táxi ou pista de decolagem).Importante ressaltar quer esta instrução pode ser dada não somente para o ponto de espera, como também para qualquer ponto especificado pelo controlador de vôo.

A nossa fraseologia nos leva a confundi-los, pois os exemplos nela citados somente se referem ao ponto de espera, daí, incautos controladores de vôo e pilotos considerarem expressões sinônimas, contudo em países estrangeiros a diferença entre elas pode ser gritante.

Estas expressões são usadas em instruções referentes a táxi que, em alguns países, podem ser completamente diferentes das instruções estabelecidas em nosso país.A título de exemplo vamos ver como ocorre nos Estados Unidos:
 
Quando uma aeronave é instruída a taxiar até a pista designada para a sua decolagem, e não recebe do órgão de controle nenhuma restrição quanto ao táxi, isto siguinifica que a aeronave está autorizada a prosseguir até o ponto de espera sem que venha a interromper seu táxi.Este tipo de instrução autoriza a aeronave a cruzar todas as pistas que cruzem a trajetória do táxi até a pista especificada.


Utilizando-se desta técnica uma aeronave estrangeira em vôo em importante aeródromo internacional brasileiro causou grande transtorno, não somente à Torre de Controle, como também ao Controle de Aproximação, pois ao receber a seguinte instrução de táxi:

Taxi to Holding Point

a aeronave, equivocadamente, se dirigiu até o ponto de espera ignorando todas as pistas de táxi e as pistas de decolagem no seu trajeto, conflitando com uma aeronave de grande porte que estava pousando numa das pistas que estava cruzando, que precisou arremeter para evitar a colisão.

Quando um órgão de controle, nos Estados Unidos, autorizar a rolagem até a pista designada com instruções que levem a interrupção do táxi em algum ponto deverá especificar com precisão o ponto de interrupção utilizando a expressão: HOLD SHORT OF.

Vamos supor que um órgão de controle, nos Estados Unidos, queira instruir uma aeronave a taxiar até o ponto de espera da pista 29L, mas queira também que a aeronave interrompa seu táxi antes de cruzar a pista 29R:

PT DCC TAXI VIA TAXIWAY G, HOLD SHORT  OF RUNWAY 29R

Neste caso, quando se aproximar da pista 29R, a aeronave manterá a posição e aguardará autorização para cruzar a pista para depois prosseguir no táxi.Se quisesse que a aeronave fizesse seu táxi sem interrupções daria a seguinte instrução:

PT DCC TAXI VIA TAXIWAY G, TO HOLDING POINT 29L.

Já neste caso, ao se aproximar da pista 29R, cruzará a pista independente de autorização, e prosseguirá seu táxi até o ponto de espera da pista 29L.

No Brasil, independente da instrução de táxi emitida pelo órgão de controle, a aeronave, sempre, deverá receber autorização para cruzar as pistas que cortam seu trajeto.

Operações Simultâneas em óstas cujas trajetórias se cruzam

 

Em alguns países, como nos Estados Unidos, o controlador pode autorizar uma aeronave decolar e uma outra pousar simultaneamente em pistas que se cruzam. Ou então poderá autorizar pousos simultâneos em pista que se cruzam.Isto mesmo, o que pode representar, em princípio, muito perigo, não é quando se faz com precisão utilizando uma fraseologia adequada.

É nestes casos que a expressão HOLD SHORT OF adquire profunda importância.Vejamos alguns exemplos:

PT DCC CLEARED TO LAND RUNWAY ONE EIGHT RIGHT.HOLD SHORT OF RUNWAY TWO SEVEN, TRAFFIC LANDING RUNWAY TWO SEVEN. 

Neste exemplo temos duas pistas que se cruzam, 18R e a pista 27.Uma aeronave foi autorizada a pousar na pista 18R enquanto outra foi autorizada, simultaneamente, a pousar na pista 27, sendo que a aeronave que está pousando na pista 18R deverá realizar seu pouso de modo que não venha a interferir com a trajetória da aeronave que está pousando na pista 27, ou seja, deverá para antes da pista 27.

PT DCC CLEARED TO LAND, RUNWAY TWO SEVEN.TRAFFIC LANDING RUNWAY ONE EIGHT WILL HOLD SHORT OF RUNWAY TWO SEVEN.

Neste caso uma aeronave está pousando na pista 27 enquanto uma outra está pousando na pista 18, sendo que recebeu uma instrução do controlador de vôo que pode prosseguir no seu pouso, pois a outra aeronave que está pousando na pista 18, que cruza a pista 27, vai parar antes do cruzamento.

A expressão HOLD SHORT OF, que foi importada da fraseologia estrangeira, veio para nós de forma bem mais limitada.

A finalidade de apresentar estes procedimentos, embora muito delicados, não são perigosos, pois há por parte dos controladores de vôo e pilotos um doutrinamento bem criterioso a respeito, é a de mostrar a importância da fraseologia, que se mostra imprescindível para a questão analisada, ou seja, o êxito da operação depende da fraseologia utilizada.
 O que ocorre em legislação estrangeira de tráfego aéreo é que os procedimentos de tráfego aéreo são explanados juntamente com a fraseologia de modo que não ficam dúvidas a respeito dos procedimentos e nem da melhor fraseologia a ser utilizada para que se execute o procedimento na forma pré-determinada.

Bem diferente do que ocorre com a nossa regulamentação em que os procedimentos e regras são explanados separadamente da fraseologia.A própria disposição da ICA 100-12, colocando a fraseologia quase no final do compêndio, faz com que se tenha à idéia da pouca relação da fraseologia com as regra de tráfego aéreo, e por incrível que pareça, às vezes são antagônicas.
Vejamos este exemplo:

A ICA 100-12 diz que a palavra inglesa APPROVED só deve ser usada nos contextos apresentada naquele capítulo.

A pergunta que se faz é a seguinte: Quais são estes contextos?
Ora, porque a nossa fraseologia não foi, neste caso, clara quanto às situações e procedimentos em que esta expressão deveria ser usada exemplificando os detalhes? Ou será preciso que os aplicadores da fraseologia, pilotos e controladores de vôo, decorem os contextos ali apresentados e a partir deles extraiam uma regra para sua melhor utilização?

Por conta disto, alguns aplicadores têm entendido que não se utiliza a palavra CLEARED para emitir instrução de táxi.Dizem que neste caso deve usar a palavra APPROVED.Ora, se a fraseologia tinha este objetivo, por que não esclareceu?

Outros discordam desta teoria, pois no início da ICA-100 –12, no item DEFINIÇÕES e ABREVIATURAS, diz-se que o termo “AUTORIZAÇÃO” pode aparecer antecipando palavras como “TÁXI”, não fazendo nenhuma ressalva quanto à palavra inglesa.

Outros não vêem diferença alguma em utilizar um termo ou outro.Inclusive questionamos controladores de um importante aeroporto internacional brasileiro e a informação que nos passaram é a de que o termo utilizado naquele aeroporto, em se tratando de instrução de táxi, é CLEARED ou AUTORIZADO, indiscriminadamente.

Em teste anual aplicado para os controladores de vôo, em determinado estado do sudeste brasileiro, ficou definido que o termo correto a ser utilizado é APPROVED.

O que acontece é que esta palavra foi importada da fraseologia estrangeira sem a devida explicação para os casos em que seriam empregadas.Daí esta confusão. 

Em outros países, principalmente naqueles em que o Direito Aeronáutico está bem desenvolvido, pode haver grande diferença entre os termos utilizados.
Só se utiliza o termo, AUTORIZAÇÃO, naquelas situações em que o controlador é co-responsável com o piloto.No Brasil, como em muitos países, a responsabilidade durante o táxi é exclusiva do piloto, no entanto, se o controlador utilizar o termo inadequado para emitir instrução de táxi passa a ser também responsável pela operação da aeronave durante o táxi, o que não é previsto.
Na legislação de tráfego aérea estrangeira, não há dúvida alguma de que a responsabilidade durante o táxi é do piloto, nem mesmo da fraseologia adequada a ser utilizada pelo controlador para se eximir desta responsabilidade.

BEM QUE A NOSSA REGRA DE TRÁFEGO AÉREO PODERIA SER MAIS CLARA.

Daniel Celso Calazans é Controlador de vôo em São Paulo, Piloto Comercial, Bacharel em Direito, Pós-graduado em Direito Aeronáutico, Membro-Conselheiro da APACTA SP-Associação dos Controladores de Tráfego Aéreo de São Paulo, Membro da SBDA - Sociedade Brasileira de Direito Aeroespacial.


INSTITUTO PROFESSOR KALAZANS (IKA)
KALAZANS AVIATION ENGLISH (KAE)


› Controlador de Tráfego Aéreo
› Piloto Comercial
› Professor Universitário de Fraseologia de Tráfego Aéreo
› Professor de Fraseologia de Tráfego Aéreo na Escola de Especialistas de Aeronáutica
› Instituto do Controle de Espaço Aéreo (ICEA) e Projeto SKYSCIENCE
› especialista em Tráfego Aéreo Internacional (TAI)
› autor de livros sobre Teste ICAO e Fraseologia
› Estágio Operacional na TWR
› APP
› ACC Nova Iorque USA
› Cursou inglês na Callan School e Premier College na Inglaterra Palestrante.

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